terça-feira, 14 de dezembro de 2010

E embora alguns digam "tanto faz", eu digo que te amo

Ela é mais que um sorriso tímido de canto de boca, dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer. Ela fala com o coração e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter. Ela é a sensibilidade de alguém que não entende o que veio fazer nessa vida, mas vive.

Ela tem muita dúvida como todos têm. Mas nem todos sabem a beleza de saber lidar com a tristeza. Ela sabe. Ela ouve a música que seu coração pede e modela seu ritmo ao seu estado de espírito. Ela dança a coreografia de seus sentimentos, e todos podem ver.


Ela é um pote de cristal, tão tranparente quanto, tão rico quanto. Mas um cristal que não sabe seu real valor, um achado no meio de tantos outros pobres potes que são apenas de vidro. Estes se quebram e são varridos como um objeto qualquer. Mas ela não, se ela quebra, é a tristeza de um cristal que se foi. E todos sentem.

Por um instante estive com esse cristal bem perto. Hoje sei a falta que ele faz, e embora alguns digam "tanto faz", eu digo que te amo.

Caio. F Abreu

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mudanças...



Todos no fundo estão a procura de uma mudança. Eu tenho buscado incessantemente por algumas, mas confesso que não me mexo muito para de fato alcançá-las. Acho que isso também acontece com todos, salvo poucas exceções.

Por que é tão difícil começar uma mudança, quando sabemos que precisamos dela? Falta um incentivo, um empurrãozinho, chegar naquele momento que não tem mais jeito: “ou vai ou racha”?

Minhas mudanças estão com os prazos de validades vencidos, há muito vencidos. Apesar de achar que o meu “ou vai ou racha” já bateu em minha porta diversas vezes e eu simplesmente a fechei, “nem fui e nem rachei”.

Pode parecer aquele blá blá blá de fim de ano. E na verdade é mesmo aquele blá blá blá de fim de ano!
Mas o que pode ser um incentivo maior para mudanças, se não um novo ciclo? Querendo ou não, criamos expectativas e depositamos nele metas, planos, sonhos... (chame como quiser).

Não, eu não vou colocá-las num papel, enumerá-las por prazo de validade, ou pela intensidade do sufocamento que me causam. Mas vou sim, junto deste ano e todo o blá blá blá que vier com ele, colocá-las em prática.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Iniciação

"Foi numa dessas manhãs sem sol que percebi o quanto já estava dentro do que não suspeitava. E a tal ponto que tive a certeza súbita que não conseguiria mais sair. Não sabia até que ponto isso seria bom ou mau — mas de qualquer forma não conseguia definir o que se fez quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro: as miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava mais era o intangível.

Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente para um teto claro e minha mão tocou um espaço vazio a meu lado sobre a cama, e não encontrando procurou um cigarro no maço sobre a mesa e virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo e uma chama e fumei fumei fumei: os olhos fixos naquele teto claro. Chovia e os jornais alardeavam enchentes. Os carros eram carregados pelas águas, os ônibus caíam das pontes e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda tocava uma ausência sobre a cama..."

Caio F. Abreu

Dois segundos fazem, sim, diferença



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Ps. Não esquecer de lembrar o porquê

"Você chega, me olha, eu te olho, a gente se beija como se fosse a
primeira e última vez, bebemos alguma coisa, brindamos alguma coisa,
conversamos, rimos, se beijamos, se beijamos, se beijamos... vamos pra
um hotel qualquer, fazemos amor loucamente, por horas, também como se
fosse a primeira e última vez, trocamos carinhos, dormimos juntos,
amanhã acordamos olhamos um para o outro e não sabemos o que fazer,
brigamos, discutimos, eu choro, prometemos nunca mais se ver, chegamos
a conclusão que não dá mais e vai cada um para um lado."

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Nosso medo de assumir riscos nos deixa viciados no depois



"Hoje eu sei que a verdade é só aquilo que parece ser. Mas eu também não saberia definir direito. E se não existe milagre, existe uma outra coisa que eu não sei o porque, mas nos traz de volta a vida. E isso sempre vou guardar comigo, se nada mais der certo."

Trecho do filme Se Nada Mais Der Certo