segunda-feira, 18 de abril de 2011

Resenha do filme A Via Láctea

 
Seguir em linha reta, em direção a tudo que amamos



“Heitor, eu acho que a gente deveria terminar agora. Eu já nem sei se te amo mais.” Heitor (Marco Ricca), um professor de literatura e escritor, namorado de Júlia (Alice Braga) uma ex atriz de teatro, agora estudante de veterinária. O relacionamento, cercado de ciúmes e insegurança por conta da diferença de idade entre os dois está em crise.

Tudo começa a partir de uma discussão do casal no telefone, gerada por um conflito de vontades e gostos que se opõem. “A juventude prefere a juventude”, cita Heitor, enciumado ao se sentir ameaçado por Thiago (Fernando Alves Pinto), amigo de Júlia, jovem e apaixonado por ela.

Ao se deparar com o rompimento e a perda da mulher amada, Heitor tenta atravessar a cidade de São Paulo, no horário do rush em busca de uma reconciliação. “Para matar a palavra errada, somente um abraço onde a gente não diz nada”. E é nesta busca que a trama se desenrola, alternando lembranças do passado, presente e possíveis acontecimentos futuros.

A Via Láctea é um filme que passeia entre extremos, ao mesmo tempo que pode ser considerado “parado”, é de uma intensidade inquietante, refletida principalmente na trilha sonora, que mistura a música clássica de Schubert, com a MPB de Gilberto Gil, o som da sirene de uma ambulância, as buzinas dos carros e melodias de desenho animado.

Fragmentos como as citações literárias, o trânsito e todas as outras particularidades pertencentes ao cotidiano desta metrópole caótica: moradores de rua, ambulantes, exploração do trabalho infantil, chuva, stress e assaltos soam confusos no decorrer da história, tomando sentido apenas no fim do filme, quando um acontecimento desvenda, se não todas, a maioria das passagens apresentadas na trama Como a cena na qual o assaltante aborda o Heitor e faz o discurso: “Você não está indo para lugar nenhum. Você está perdido! Você está indo embora! ...Você não está vendo que está entre a vida e a morte?! Acorda para dentro!”.

Brasil nas rotas internacionais

 Música e desfalque nos nossos bolsos

Nos últimos anos, muitas bandas e cantores internacionais consagrados incluíram o Brasil em suas agendas de shows. Esta tendência cresceu principalmente com a onda dos festivais de música, como o SWU, realizado em outubro no ano passado, com ingressos vendidos a R$ 580 (por dia), para quem quisesse ficar cara a cara com seus ídolos, entre eles as bandas Linkin Park, Kings of Leon e Rage Against the Machine.

Para setembro e outubro deste ano, teremos o Rock In Rio (que após dez anos voltará a ser realizado no Rio de Janeiro), tendo como atrações confirmadas Metallica, Red Hot Chili Peppers, Coldplay, Elton John, Guns N' Roses, entre muitas outras. A entrada para o evento custará R$ 190 por cada dia (serão seis dias).

Os fãs brasileiros estão empolgados com o crescente número de bandas internacionais que desembarcam seus shows em território nacional, porém, os preços altos, o sistema de vendas e as abusivas taxas de conveniência, deixam e muito a desejar.

Para começar os valores cobrados por estes shows no Brasil é muito maior do que em outros países. A banda U2, que acabou de se apresentar no Estádio do Morumbi, é um exemplo. Os ingressos mais caros no país saíram por R$ 1 mil, já em Buenos Aires o mais caro custou o equivalente a R$ 557.

Outro ponto importante é que estes valores, apesar de altos, só garantem a entrada ao evento. Outras despesas como bebidas, alimentação, transporte, estacionamento e dependendo do local do espetáculo, hospedagem, precisam ser calculados por fora. Ou seja, o fã precisa ter uma boa quantia de recursos financeiros disponível. Isso no mesmo Brasil onde o salário mínimo é de R$ 540.

O sistema de vendas também tem sido um transtorno na hora de adquirir os ingressos. A corrida para garantir a compra dos primeiros lotes, ainda não tão caros, causa congestionamentos nos sites, que saem do ar.

A taxa de conveniência é um problema que já gerou polêmica e foi parar até no Procon. O Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor afirmou que as taxas de 20%, cobradas pelas empresas na compra do ingresso pela internet ou por telefone, são abusivas.

Então se você for fã e fizer muita questão de ver seu ídolo, prepare o bolso para todos estes gastos e não esqueça as aspirinas, porque pode ter dor de cabeça!


Estilo Alfa - http://www.estiloalfa.com.br/artigo-lazer.php?id=2

domingo, 10 de abril de 2011

Lado B da Virada

 A Virada Cultural deste ano aposta em antigos nomes da música brasileira

Nos dias 16 e 17 de abril, a Virada Cultural realizará sua 7º edição, com 24 horas ininterruptas de música, teatro, dança, cinema e arte, que se espalham por diversos cantos da cidade. Depois de 6 anos seguidos de apresentações, o evento que é organizado pela prefeitura de São Paulo conquistou um público fiel que espera ansioso por cada edição.

A programação musical que tem como principal característica dar espaço para todos os tipos de ritmos, está ainda mais eclética. Não deixa de apresentar ao público os novos e promissores (ou não) nomes da música brasileira, porém a escolha do repertório desta edição se destaca por estar um tanto quanto saudosista.

Os palcos montados nas principais ruas, praças e avenidas da cidade são divididos por estilos musicais e em cada um deles, independente do estilo, está presente na programação alguma atração de “velha guarda”.

O palco da Barão de Limeira, por exemplo, é dedicado ao forró, logo um nome que não poderia faltar em hipótese alguma e de fato não irá faltar é Dominguinhos. Além do Rei do Baião, Genival Lacerda e Almir Sater também irão se apresentar.

Ao caminhar mais pela cidade, o espectador da Virada encontrará o som dançante de Toni Tornado e Paulinho da Viola no espaço para amantes do soul e samba, localizado no Palco República.

O principal palco da noite, “Palco Júlio Prestes”, voltado para o rock n' roll e suas vertentes, abre o show da primeira noite com Rita Lee e encerra o da segunda com as bandas Blitz e RPM.

Já no Largo do Arouche o saudosismo reina durante quase toda a programação. No palco dedicado a música brega o público encontrará shows de Erasmo Carlos, Os Incríveis, Zéu Brito e Ritchie. É, aquele mesmo da música “Menina Veneno”!

O palco da Bulevar São João será uma homenagem aos Beatles. Uma maratona trará ao palco a banda cover Beatles 4ever que relembrará todos os grandes sucessos da banda que estourou nos anos 60.

E por fim, no Sesc Pompeia o som é antigo, mas as vozes são novas. Músicos da cena atual se unem em projetos e dão vida a bandas como o Instituto que relembra as melhores músicas da fase Racional de Tim Maia. E a banda Del Rey que homenageia Roberto e Erasmo Carlos.

Claro que boa parcela do público da Virada Cultural não tem idade pra conhecer tais nomes da música brasileira, alguns talvez lembrem umas e outras, curtidas por seus pais e avós nos discos de vinil. Isto mostra o poder incrível que a música tem de viajar por entre as gerações e transcender as barreiras impostas pelo tempo.

Estilo Alfa - http://www.estiloalfa.com.br/artigo-lazer.php?id=1