Seguir em linha reta, em direção a tudo que amamos
“Heitor, eu acho que a gente deveria terminar agora. Eu já nem sei se te amo mais.” Heitor (Marco Ricca), um professor de literatura e escritor, namorado de Júlia (Alice Braga) uma ex atriz de teatro, agora estudante de veterinária. O relacionamento, cercado de ciúmes e insegurança por conta da diferença de idade entre os dois está em crise.
Tudo começa a partir de uma discussão do casal no telefone, gerada por um conflito de vontades e gostos que se opõem. “A juventude prefere a juventude”, cita Heitor, enciumado ao se sentir ameaçado por Thiago (Fernando Alves Pinto), amigo de Júlia, jovem e apaixonado por ela.
Ao se deparar com o rompimento e a perda da mulher amada, Heitor tenta atravessar a cidade de São Paulo, no horário do rush em busca de uma reconciliação. “Para matar a palavra errada, somente um abraço onde a gente não diz nada”. E é nesta busca que a trama se desenrola, alternando lembranças do passado, presente e possíveis acontecimentos futuros.
A Via Láctea é um filme que passeia entre extremos, ao mesmo tempo que pode ser considerado “parado”, é de uma intensidade inquietante, refletida principalmente na trilha sonora, que mistura a música clássica de Schubert, com a MPB de Gilberto Gil, o som da sirene de uma ambulância, as buzinas dos carros e melodias de desenho animado.
Fragmentos como as citações literárias, o trânsito e todas as outras particularidades pertencentes ao cotidiano desta metrópole caótica: moradores de rua, ambulantes, exploração do trabalho infantil, chuva, stress e assaltos soam confusos no decorrer da história, tomando sentido apenas no fim do filme, quando um acontecimento desvenda, se não todas, a maioria das passagens apresentadas na trama Como a cena na qual o assaltante aborda o Heitor e faz o discurso: “Você não está indo para lugar nenhum. Você está perdido! Você está indo embora! ...Você não está vendo que está entre a vida e a morte?! Acorda para dentro!”.

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